o-legado-rubro

Sob um luar pálido o nosso encontro ocorreu. O Mercenário Rubro aguardava sentado do lado de uma arvore. Nunca imaginei que o bandido mais famoso do Reino aceitaria duelar com um reles escudeiro.  Rubro parecia uma aparição do mundo dos mortos: Sua mascara branca contrastava com a armadura de couro negra, com fitilhos escarlates. A silhueta do guerreiro confundia-se com a escuridão. Eu, com uma espada roubada de meu mestre e uma armadura de treino me sentia uma criança diante daquele ser. O combate foi súbito, brutal e com um resultado óbvio: Os golpes do mercenário Rubro eram precisos, acertando minhas juntas.  Já os meus movimentos carregavam a inexperiência de quem nunca tinha derramado sangue. O golpe final foi em meu rosto, cortando bochechas e lábios. No chão, exausto, fechei meus olhos aguardando o golpe final. Porém, depois de alguns instantes, percebi que estava sozinho, com a armadura negra e a mascara jogadas ao meu lado. Desfigurado e traidor de meu próprio mestre, não tive escolha: Enverguei a armadura e a mascara que uso a mais de sessenta anos. Hoje, aceitei o duelo de um jovem camponês. Hoje é a minha vez de passar o legado de morte do Mercenário Rubro.

Vagner Roberto

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