experiencia-de-uma-atriz

Em um grupo de teatro a confiança é um elemento fundamental ao relacionamento. Afinal, como vivenciar histórias e expor-nos perante um público se, tampouco, confiamos naqueles que dividem o palco conosco?

“O cego e o condutor” foi o exercício proposto para dar confiabilidade à relação de grupo: feito em dupla, os cegos são encaminhados por trilhas ou desafios coordenados pelos condutores, e após vivenciarem e guardarem em sua memória – corporal ou não – debatem e comentam sobre as sensações percebidas.

Particularmente, agrada-me do jogo a capacidade de revelar-nos muito sobre a essência humana. A mais notória é se preferimos liderar ou ser liderados, e as menos perceptivas como o quanto eu permito que o outro me modifique. Tire-me do meu “lugar comum”.

Podemos ainda refletir até que ponto realmente enxergamos, pois, ao conduzir, será que levamos em conta apenas nossos anseios ou as reais necessidades daquele que conduzimos? Somos cegos querendo guiar cegos? O que queremos ao fazer uma peça de teatro? Formar a opinião? E como saber se nossas ideias são as melhores? Existe um melhor?

Com este exercício temos a oportunidade de perceber o mundo com toda a minúcia que nos proporciona enxergar o que foi sempre existente, porém não percebido. Na relação de grupo as experiências externas que cada um traz e a convivência com defeitos e qualidades do outro fazem essencial a construção da confiança.

Abaixo, trecho dos depoimentos deixados pelos atores do GEPETO que passaram por esta experiência.

– Gosto muito desse tipo de exercício (…) porém nesse dia tive uma grande dificuldade de me entregar, penso eu, que isso ocorreu devido o medo de me ferir, já que teria uma apresentação no dia seguinte, com isso não conseguir me entregar total na condução. Wellington Nascimento

– Acho importante evidenciar minha experiência, que, pela primeira vez, foi tão intensa neste tipo de exercício. (…) Entre rolar na grama, subir em morros, sentir a diferença entre um pisar na grama e no cimento, sentir na pele a sombra e o sol (…) Ufaaa!!! O que mais me impressionou e hipnotizou foi abraçar uma árvore! (…) De repente não ver nos faz enxergar o mundo realmente como ele é, vivenciar cada milésimo de segundo de maneira tão feliz que nunca seria capaz de buscar a felicidade, ela esta lá! (…) Mayara Araújo

 

Profª Cecília Zanquini Graduada em Artes Cênicas pela Faculdade Paulista de Artes – FPA, é Diretora da Cia GEPETO de Teatro e atualmente faz Pós Graduação Especialização em Gestão Cultural: cultura, desenvolvimento e mercado (Latu Sensu) pelo SENAC.

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