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Até o surgimento da fotografia, os artistas estavam presos a representações da vida cotidiana da sociedade em que estavam inseridos. Desde a época das cavernas a Arte era usada para catalogar ou ensinar sobre a vida, a religião e os costumes dessas sociedades, o artista estava impedido de se expressar, de sentir e de até, por um bom tempo, assinar a obra que produzia.

A máquina fotográfica libertou esses artistas e eles viveram uma revolução na produção de suas obras, começaram a falar do mundo, de como eles sentiam, viam e viviam esse novo mundo. Questionando a sociedade em que estavam inseridos, procurando inferir no mundo o seu próprio mundo e assim muito deles foram incompreendidos e até hoje é comum escutarmos a pergunta ‘mas o que esse artista quis dizer com essa obra? ‘ Realmente algo muitas vezes impossível de se responder, dado que não vivemos na mesma época que muitos artistas que estudamos em nossas escolas públicas. Mas e os artistas contemporâneos? Também muitas vezes não os entendemos, por quê? Simples! Porque não estamos acostumados a apreciar obras de arte, apesar da Arte estar ligada diretamente as nossas vidas, vivemos sem nos dar conta de quanto ela é importante, e estamos mais acostumados a obras que já vem tudo explicadinho, não nos faz pensar, refletir sobre o porquê disso ou daquilo. Preferimos cinemas em shopping centers a museus e bibliotecas, e assim estamos criando uma geração que não pensa em Arte como algo importante em sua formação.

Durante as minhas aulas na Educação de Jovens e Adultos, é comum ouvir meus alunos dizendo não gostarem de arte por não saberem desenhar, e que estão na escola para aprender a ler e a escrever. E como dizem meus pequenininhos, Arte não é só desenhar, é ver o mundo com outros olhos, é estar disponível para sentir esse mundo como se fosse a primeira vez e, assim poder criar linguagens visuais, corporais, sonoras, sinestésicas conversando com esse universo do Criar, do imaginar, das cores e sons, que nos fazem desejar um mundo melhor.

Quando você, leitor, visitar uma exposição em um museu ou qualquer outro espaço, ou ver fotografias de obras em revistas e jornais, não se pergunte o que esse artista quis dizer com essa ou aquela obra ou objeto artístico, e sim o que você, enquanto leitor de Arte, pensa sobre a obra em questão, o que você sente e o que essa obra diz pra você.

Profª Juliana Bertoglia Silva Graduada em Artes pelo Centro Universitário Metropolitano de São Paulo- UNIFIG; Pós- graduada em Gestão Educacional – Latu Sensu pela Universidade de Mogi das Cruzes – UMC; Extensão Universitária em Música e Movimento, e em Jogos Cooperativos pelo Centro Universitário do Vale do Paraíba – CEVAP; Atualmente é Professora da Rede Pública Municipal de Santa Isabel – SP