20-anos-jogando-rpg-um-depoimento

Era 1994. Meu pai chega em casa com uma caixa grande na mão. Ele me diz com uma cara preocupada: “Eu vi esse jogo em uma loja, tomara que você e seu irmão gostem. Feliz aniversário!”. Abri o embrulho curioso e na tampa da caixa tinha o desenho de um Dragão! Foi aí que tudo começou. Nesse mês de Janeiro fez 20 anos que jogo RPG. Comecei com o Dungeons and Dragons da Grow. Meu pai comprou o jogo pensando que seria um tipo de “banco imobiliário”. Ele sabia que eu e meu irmão adorávamos jogos e estava preocupado se gostaríamos daquele jogo “diferente”.

Até hoje agradeço a ele pela iniciativa. Lembro minha dificuldade em entender o sistema de regras, um pouco indigesto para um garoto de 10 anos. Mas a ideia de jogar “Caverna do Dragão” com meus amigos e meu irmão foi mais forte. Passava as manhãs de Sábado desenhando castelos e campos de batalha no verso das cartolinas dos meus trabalhos escolares. Eram domingos recheados de elfos, anões, duendes, ogres, orcs e dragões. O exercício de imaginar/construir que o RPG proporciona incentivou muito a minha leitura, procurar jogadores e montar grupos ajudou na minha convivência com as pessoas e selecionar minhas amizades, a mensagem que a fantasia heróica transmite em relação a princípios como honra e virtude ajudaram a criar minha visão do mundo.

Até hoje defendo o hobby como uma diversão lúdica e saudável, onde podemos construir amizades duradouras e contar estórias, mesmo quando vivemos em um mundo onde a imaginação é substituída pela tecnologia eletrônica de um videogame onde você pouco decide os rumos da estória. Agradeço aos meus pais pelo presente. Ao meu irmão por me acompanhar jogando até hoje, com seus heróis de bom coração e cheios de coragem.

Aos meus amigos de Arujá que insistiram em querer jogar quando me mudei. Talvez sem eles, teria parado de jogar a muito tempo. Não teria visto os vampiros insanos e druidas misteriosos que saíram de sua fértil imaginação. Não teria dado risadas a tarde toda em uma pracinha perto de casa jogando Street Fighter SEM VIDEOGAME, apenas com dados. Obrigado a todos os meus jovens colegas do antigo “Parceiros do Futuro” que, mesmo quando fomos EXPULSOS DE UMA ESCOLA POR LEVAR LIVROS PARA ELA, ficaram fieis a seus princípios, continuaram jogando e são meus grandes amigos até hoje. São centenas de pessoas.

Centenas de estórias contadas e Histórias de vida ligadas por um Hobby. Obrigado a todos vocês pelos anos de aventuras, no RPG e na vida.

Profº Vagner Roberto da Silva Graduado em História pela UNG e Pós graduado em Gestão Educacional na UMC, atua como professor da Rede Pública na Escola Maria Isabel Nevez Bastos.